Caipirinha & Castanholas

Terça-feira, Novembro 29, 2005

A Oktoberfest (que não fica em Igrejinha)

Antes de morar em Salamanca, eu e o Rica fizemos o chamado mochilão de pouco mais de um mês pela Europa. A gente optou por ter um roteiro aberto, tipo saber as cidades e o tempo que iríamos ficar em cada, mas não se tornar escravo disso, podendo mudar quando bem entendermos. Tem gente que confunde férias com obrigação, o que não foi nosso caso. Se bem que entramos em algumas roubadas por nunca ter albergue reservado, mas nada que a gente não se lembre com risadas agora.
Bueno, com essa estratégia, nosso plano era ficar 5 dias nas Ilhas Gregas. Lá encontramos o Gui, a Elisa e a mãe dela. Tava tão bacana que quando vimos já estávamos há uns 11 dias. Então tivemos que sacrificar Praga e Budapeste (que eu prometi pra Camila e também pro Jr. que ainda vou visitar antes de voltar). Foi então que por nada, um alemão lá na Grécia apareceu e deu a luz: disse que era de Munique. A primeira coisa que veio em minha cabeça, obviamente foi Oktoberfest. Ele disse o evento tinha recém começado e iria até o fim de setembro (não me perguntem porque não é em outubro). Então diretamente depois da Itália chegamos em Munique pra passar dois dias doentios. Pra quem não sabe a Oktoberfest é a festa mais tradicional da Alemanha, eles comemoram um casamento que tava há sei lá quanto tempo atrás com um único objetivo: cair de tanto beber chopp.

PRIMEIRO DIA:
Era um sábado, o dia mais forte. Chegamos perto do meio-dia e todos os albergues estavam lotados. Tinha um que outro cobrando os olhos da cara, preço absurdo mesmo. Daí um americano que alugava bicicletas lá disse que tinha um albergue improvisado na casa dele por um preço justíssimo. Fomos. O cara era uma figura, qualquer mulher que passava, tipo uma com cem quilos, ele falava “Look that Ass! Amazing”.

Chegamos no imenso parque há uma da tarde, e todos nos alertaram que era tarde. E de fato era, as 15 mega cervejarias estavam lotadas, tivemos que ficar com uma multidão nas mesas da rua. Tinha bastante turista, mas a grande maioria era de alemães, todos naqueles trajes típicos, muito engraçado. Nós estávamos de estômago vazio, mas fomos no embalo e cada um pediu um chopp de, sei lá, quase 2 litros. Não preciso nem dizer que o Rica ficou bêbado até o fim da noite com isso. Eu ainda tomaria mais três ou quatro durante o dia sem nada comer, o que ao final fez eu me encontrar num estado lindo (O Rica fez um videozinho, tenho que aprende a cria um link e tal). A gente azucrinou na tarde, ficamos amigos de uns brasileiros e tal, e mais pro final da tarde, finalmente entramos em uma cervejaria.

SEGUNDO DIA:
No domingo o Rica preferiu ir conhecer um campo de concentração nos arredores de Munique. Eu preferi ir pra farra de novo. Dessa vez, cheguei cedinho, umas 9 da manhã e sentei só numa mesa. Depois de um tempo, uma família alemã muito simpática sentou comigo e começaram a virar comigo. A cada quinze minutos mais ou menos, as bandinhas alemãs param a música e começa meio que toca um hino, que fala só em “prost”, que é saúde, e todos brindam. Bem bacana. Mas o hino da galera mesmo, em que cada grupo de amigos bêbados cantava, era o refrão daquela canção clássica “Heeeeeey, hey baby! HAAA!, I wanna knoooooow if you be my girl”.Dessa vez não quis cometer o erro do dia seguinte, pedi a mesma coisa que o avô da minha mesa (o cardápio indecifrável) e veio uma típica galinha de televisão de cachorro. Pouco depois do meio-dia a família foi embora e eu já estava legalzito. Mais tarde fiquei amigo de uns italianos, fumamos uns charutos (eu tava com a minha camisa do Don Corleone) e a festa continuou divertida. Minha memória fica um pouco nebulosa, mas por nada tenho uma foto com uma mins extra gata que realmente não me lembro de ter falado. Mais pro fim, eu liguei de um orelhão pro Rica e ele pintou lá a tempo ainda de fazer história. Conhecemos duas gurias que também gostavam de beijar gurias, e aí vamos ficar por aqui que esse texto já ta monstruoso. Moral da história: Oktoberfest em Munique? Eu recomendo.

PROST!

Uma da tarde e ja tem varios caras desmaiados.

Um café da manhã com uma família alemã.

Nos e as tais...

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

DIFERENÇAS CULTURAIS I

Listo abaixo não só algumas diferenças culturais européias, como curiosidades e afins:

- Primeira coisa gostaria de derrubar um mito (que eu tinha um pouco de medo antes de vir pra cá): as mulheres daqui não tem pêlos no sovaco como algumas pessoas me advertiram, a chance de encontrar uma mais riponga com essa característica é a mesma que aí.

- Cerca de 90% dos banheiros públicos tem a pior invenção do mundo, aquela porra que sai um ar quente. Se tu queres secar as mãos com papel tem que ir em busca do papel higiênico.

- É muito comum (mesmo) as gurias daqui usarem calcinhas fio-dental durante as festas e também no dia-a-dia. E ninguém tacha elas de vagabundas.

- Os italianos e os espanhóis bebem vinho com coca-cola. Mas óbvio que não sempre, é mais pra se emborrachar mesmo, e o vinho é tão vagabundo que se vende em caixa de leite.

- Todo mundo fuma na Europa.

- Os filmes na Espanha e na Itália são sempre dublados, inclusive no cinema. Foda.

- A grande maioria das cidades européias é muito mal sinalizada em relação a nome de ruas. Pra começa não existe plaquinha, é sempre grudado em algum prédio. O lance bizarro é que muitas vezes está realmente escondido ou simplesmente não há, aí o turistão se fode.

- As havaianas são a febre do momento. No último verão nos diversos países que estive elas eram predominantes nos pés de todos, principalmente a que tinha a bandeirinha do Brasil.

- Aqui na Espanha tem muita guria que usa o chamado cabelo chitãozinho,Eu como não entendo nada de cabelo não sei explicar bem como é isso, mas acho que vocês podem imaginar. E os cara curtem pra caralho.

- Quando tu pergunta pra algum europeu o que conhece de música brasileira, a porcentagem de respostas é mais ou menos assim:
50% Carlinhos Brown (ele tem um puta público aqui, só não me perguntem porque)
30% Tribalistas
20% Carnaval (essa resposta varia também pra caipirinha ou Rio de Janeiro)
10% Os bambambams da mpb ou bossa nova Chico, Caetano, Gil, Tom, Elis, Vinícius... (sempre tem os europeus mais cabeça)

- O ÚNICO filme brasileiro conhecido é Cidade de Deus. Mas muitas pessoas conhecem e adoram. Há um futuro bem lá adiante.

- E eu pensava que ia gostar dessa tal cultura conhecida como siesta, quebrei a cara. Todo o comércio fecha da 13:30 as 17:00 em média. O dia que o cara faz uma noite forte e acorda um pouco mais tarde só vai conseguir fazer as paradas no fim da tarde.

- Na minha faculdade tem máquina de cigarros, e a cafeteria vende bebidas alcoólicas. É muito comum eu e meus colegas tomarmos cañas (chopps) no intervalo.

- E pra fechar que já é tarde aqui, falo da cultura de assoar o nariz. Não que não seja normal no Brasil, mas aqui na Europa é beeeem diferente. Pode ta um puta silêncio na aula e um cara puxa os lencinhos do bolsos e faz um barulhão extra nojento. E as mulheres fazem também com a mesma desinibição e em qualquer lugar, como em um showzinho que assistimos em uma praia perto de Barcelona em que a vocalista parou o show e fez no microfone. Eu particularmente criei uma teoria que é um lance meio charminho como mexer no cabelo por aí. Enfim, culturas.

Domingo, Novembro 20, 2005

Sofrendo sem ver

Puta que pariu. Vo te que mais uma vez ouvi o jogo, não exite um bar em Salamanca ou em Madri com a porra da globo internacional. Ano que vem não vou ter escolha, vo te que compra pra ver os jogos da Libertadores. Espero que eu não tenha um enfarte hoje. Se Deus existe que seja colorado.

Amanhã vou a Lisboa encontrar com Krigor, também conhecido como Zuquinho, Marchand, Guardião do Livro Maldito ou simplesmente pé de cana. Sua única encomenda foi que eu comprasse uma pata negra de jamón. Comprei.
Quarta estou de volta.

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Eu sou colorado e não desisto nunca

Eu sou uma metamorfose ambulante. Já mudei muito de gostos, pensamentos, atitudes e provavelmente vou continuar mudando. Mas tenho duas únicas certezas na vida: vou morrer homem e colorado. Eu sei que é muito difícil pra maioria das mulheres (e pros viados que não gostam de futebol) entender essa doença que é uma paixão por um clube. Eu não entendo. É algo que ultrapassa os limites da razão.

Eu sou colorado e não desisto nunca. Todos esses anos de frustrações só me fortaleceram. Quando o Inter chegava pertinho, bum! Dava merda. E era sempre aquele comentário clássico na saída do Beira-rio “o inter é foda”. E eu continuava acreditando. Só que nesse ano eu tive a sensação verdadeira que iríamos chegar. E mesmo de longe, acompanhei detalhe a detalhe toda a temporada: Inter perdeu diversas chances de assumir a liderança e eu segui na luta. Inter finalmente assumiu e depois uma roubalheira de merda, o Corinthians nos passou e eu segui na luta. O time de mentira do Corinthians, criado por um iraniano filha da puta com o rabo atrolhado de centenas de milhões de dólares, dispaoua na tabela e eu segui na luta. Inter toma quatro do Boca, os gremistas me entopem de e-mails graciosos e eu segui na luta.

E, quarta, ouvindo um jogo (radinho é um sofrimento do cão), que teoricamente era uma vitória certa, pois era contra um time de Brasília (!) e que possuía um jogador chamado Márcio Careca (!!), o Inter não conseguia fazer o gol até os 45 do segundo tempo. E eu segui na luta. O Torto (que ta em Londres) ta de prova, estávamos falando no messenger e eu sempre dizia que o gol ia sair até o último momento. E aí veio o êxtase. Eu nunca pensei que um sujeito chamado Mossoró fosse me dar tanta alegria. E parece que o Kia vai ter que remarcar o show da Ivete Sangalo.

Domingo, então, tenho uma viagem marcada. O único bar brasileiro em Salamanca que tem globo internacional ta em reformas desde que eu cheguei. E é por isso, que vou percorrer 200 km até Madri só pra ver a final do campeonato pela tv. Vou junto com Tommaso, meu amigo italiano, que também já é colorado roxo e já foi regalado por mim com uma camiseta do Sóbis. Podemos perder sim, mas eu sou colorado, não desisto nunca e sigo na luta.



Abaixo vai um texto meu escrito em 18 de julho desse ano, depois que o Inter meteu 5 a 2 no Juventude. Na ocasião, o campeonato estava recém na décima segunda rodada e a Ponte Preta liderava com 26 pontos, seguida por Inter (25), Santos (24) Flu (23) e Corinthians (22). Só não acertei na bucha, por que não tinha como prever que o Nilmar iria vir e, principalmente, que ia começar a Copa Edílson.


18 DE JULHO DE 2005

O Massacre do Beira-Rio Tarde divertidíssima ontem lá na Padre Cacique. O Colorado botou o Juventude no lugar dele, chamou pra dançar e deu um verdadeiro baile. Um notório chocolate. Esse ano eu to com o pressentimento (de verdade) que o Inter vai ser campeão. Sério, o time é bom demais e tem todo um elenco forte por trás. Nosso único adversário é o Corinthians que vai acaba se perdendo na curva com aquele monte de laranja podre. Prometo (e os amigos sabem que eu sempre cumpro), que se no final de novembro, o Inter fica a um jogo de ser campeão, volto de Salamanca pra fica uma semana aqui, comemoro como nunca e entro em coma alcoólico. Tenho dito!





Conhecer o Coliseu é uma emoção quase tão forte como comemorar um gol num Beira-rio lotado.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

La Vida en Salamanca

Salamanca fica a oeste da Espanha, bem pertinho de Portugal. Tem 200 mil habitantes, sendo que 50 mil são estudantes. Isso significa que tem muita festa. Muita. De segunda a segunda. E mais pra perto do final de semana então nem se fala. Sem galinhagem tem mais de 30 discos (que é como se chama aqui, e aí como se chama? Boate?) bombando. E todas são de graça. Ou seja o normal é ir em 3 ou 4 na mesma noite. E tem gente de todos os cantos da Espanha e de tudo que é lugar do mundo.
Bom agora que falei da noite, que é o que a maioria pergunta posso, posso escrever coisas menos importantes. A cidade é muito antiga, só pra ter uma idéia, a Universidade de Salamanca foi fundada em 1300 (a segunda mais antiga do mundo). A principal atração da cidade é o seu centro, onde se destaca a imponente Plaza Mayor. Não tem muito como explicar, tem que ver ao vivo mesmo, mas uma coisa é certa: é impossível não se perder nas ruelas que saem dela, são muito parecidas. E o símbolo de Salamanca se encontra na Universidade, mais precisamente no lado de fora, na fachada. É toda esculpida, com muitos detalhes e tal, mas ta sempre entupido de turista por outra razão: pra procurar a rã. Sim isso mesmo. Tem uma pequena rã escondida no meio de todo o lance e todo turista tem que encontrar (e diga-se de passagem, é muito foda). Eu acho um tanto quanto idiota o principal lance da cidade ser um Onde está Wally real, mas enfim entendo. Toda cidade tem que ter um símbolo para as lojinhas turísticas venderem, em Paris tu compra a Torre Eiffel, em Nova York a estátua da liberdade e em Salamanca... a rã. Tem camisetas, bicho de pelúcia e o caralho a quatro. Eu vivo num apê de 4 quartos com o Rica e mais três italianos. Como chegamos por último dividimos um quarto, que por um lado é bom porque pagamos só metade do aluguel. Na nossa sacada podemos presenciar uma vista linda de todo centro da cidade. O afudê daqui é que dá pra fazer tudo a pé, eu nem me lembro mais como é dirigir um carro. E não importa a hora é sempre seguro. Pra mim acho que é a melhor coisa da Europa, a tal segurança. É ótimo poder caminhar de madrugada sem se preocupar em tomar um 38 na cabeça. Eu fico imaginando que do caralho seria Porto Alegre assim (e acho que há 30, 40 anos atrás, era), mas enfim, a tendência é só piorar. Bueno, acho que já me alonguei demasiado, outra hora eu falo de como ta meu curso, a busca por um trabalho digno e outras histórias.

La famiglia: Tomaso, Rica, Giorgia, Illiari e um modelo famoso que tava de passagem por a� (parece que ele � muito inteligente tamb�m)  Posted by Picasa

Sacadinha, num dos poucos dias de sol (chove pra caralho aqui) Posted by Picasa

Sábado, Novembro 12, 2005

Por que todo texto sempre tem que ter um título?

Devido aos insistentes pedidos (dois eu acho), eu volto a escrever num blog. Confesso que eu também tava com saudade. É que bem na real, eu continuo pensando muita, mas muita merda, durante um dia inteiro. E também vi e continuo vendo muita coisa diferente e interessante. Aqui vai ser, mais uma vez, um espacito para compartilhar alguma parte desses pensamentos, idéias, teorias e besteiras com vosotros. E principalmente agora que eu to longe, pelo menos a galera fica um pouco interada do que ta rolando. E eu quero comentários, porra! No antigo tinha varias pessoas que diziam que liam direto, mas só uns gatos pingados comentavam. Eu não garanto que vou manter o ritmo anterior de escrever diariamente, até por que tenho muita coisa que fazer por aqui (eu sou um cara muito ocupado...), mas de vez em quando vou postando - ou ruminando. Eu tenho um milhão de histórias e curiosidades européias pra contar, mas vamos com calma se não canso a audiência. Bom, eu fiquei sabendo que o filme do Zezé Di Camargo e Luciano foi um puta sucesso de bilheteria e também de crítica. Sei lá, as coisas mudam quando se está longe. Bom, então aguardem, que em breve verão uma verdadeira aventura de uma dupla sertaneja (provavelmente a primeira gaúcha) “Ricardo & Leonardo – Dois Filhos de Seus Pais”, com participações mais que especiais (inclusive de celebridades). Fiquem com algumas fotos tiradas durante a sua produção – que continua a mil.






EPÍLOGO:

Agora cada vez mais acredito que, de fato, a realidade supera a ficção.