Sábado, Fevereiro 25, 2006
Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Eeeeeeeeu, sou brasileeeeeeiro, com muito orguuuulho...
Depois de mais de seis meses fora do meu país, um fenômeno estranho está ocorrendo comigo: estou virando um nacionalista. Não consigo entender muito bem por que. Primeiro é o futebol. Comemoro cada gol que algum brasileiro faz aqui nas ligas, discuto quando alguém vem chamar o Robinho de pipoqueiro e afirmo que a Libertadores é mais difícil que a Champions (“põe o Rangers pra joga no Equador com altitude, põe!”).
Na noite quando me perguntam de onde eu sou (não sei como descobrem que eu não sou espanhol só pelo meu “hola, que tal?”), encho a boca pra falar “brasileño”. E quase sempre agrado. É que na real o Brasil ficou meio na moda ano passado por ser nosso ano internacional na França (?), e que acabou se espalhando pelos países vizinhos. Na minha opinião tudo isso foi apenas uma estupenda estratégia pra espalhar por toda Europa havaianas com bandeirinha brasileira.
O mesmo acontece no assunto “bebidas típicas”. Quem me conhece bem, sabe que eu detesto cachaça (trauma dos meus primeiros porres). Mas como estou na Europa, sÃo outros quinhentos: pedi pra minha mãe trazer a grande bebida do meu país. E ela trouxe uma garrafa meio diferente, mineira, um pouco mais refinada que a 51, e eu obviamente fiz uma puta propaganda. A galera meteu uns martelinhos (aqui conhecido com o sugestivo nome de “chupitos”), misturou com seus drinks habituais e se entorpeceu. No dia seguinte o pessoal me comentava que a maioria sofreu amnésia alcoólica por causa do “estranho licor brasileiro”.
E quando o assunto é carnaval enlouqueço. As gurias daqui não querem ir pro Brasil nessa época, por que pensam que é só mulata de peito de fora. E isso passa em toda Espanha, o carnaval se resume a Sapucaí. Aí eu digo que não, que existe um puta carnaval no Nordeste, e esse é de rua, quente mesmo. Daí me lembro que a única vez que eu fui pra lá nessa época foi pra Porto Seguro. E, diga-se de passagem, deixou muito a desejar (pra não dizer uma merda). Maaaaas o carnaval do Sul também é bacana, as mulheres mais incríveis... como todo o resto do ano. Teoricamente seria a época em que as gurias fazem o que gostariam de fazer sempre, ou seja putaria, e não seriam reprimidas por isso. Mas também não é assim (ou eu ando meio fracassado nos últimos anos): beijar se o cara quer é muito fácil, faz uma coleção de lábios (“e beijinho eu dou na minha mãe” como diria o futuro político), mas o bem bom mesmo não é tão fácil.
Domingo, Fevereiro 19, 2006
Um planeta chamado Tunísia
Depois de exato 23 anos, a família volta a Tunísia (dessa vez com o desfalque de Gabriel e com a adição de minha tia Carmen). Pra ser sincero não lembro muito dessa primeira viagem, até por que só tinha 2 meses. Dizem que foi um pouco agitada, com algumas coisas como a polícia árabe pensando que nossos dólares eram falsos e nos deixando detidos vários dias em um pequeno vilarejo, nosso carro capotando no Saara, etc... Bom, não sei por que voltamos pra esse diabo de país.
Fogo na bomba (comprei um narguilé desses pra fuma chicha)
Eu teria medo se me encontrar na rua.
Chega de politicagem, outra coisa fantástica da Tunísia é a diversidade de paisagens. E a que mais me fascinou foi a que inspirou George Lucas na hora de criar Star Wars (inclusive muitas cenas foram filmadas lá). Umas casinhas muito rústicas, onde vivam os povos do deserto, conhecidos como trogloditas. E pros nerds Jedi morrerem de inveja, estive em uma cidade chamada Tattoine, bem bacana. Por essas redondezas como nao poderia ser diferente aproveitamos para dar uma bela volta de camelo.

Valter Skywalker e sua princesa.
Outra atração tunisiana são seus vendedores. Em todas as cidades há um sucre, (certo que não é assim que se escreve), um mercado onde se vende as coisas típicas do país. E todo mundo que estuda marketing deveria fazer um estágio com os sujeitos que trabalham por aí. Os caras são chatos pra caralho, mas tu acaba comprando algo que nem pensava em comprar. Eu comprei um narguilé pra fumar chicha e uma roupa de árabe. E a lei é a da pechincha: se o cara te diz que alguma coisa custa 80, tu pode acabar levando por 15, ou menos. 90% deles, quando descobriam de onde eu era começavam “Ronaldo, Ronaldino, Roberto Carlos,...” e também falavam “Dos Santos”, que é o melhor jogador da seleção deles e é brasileiro. Mas esses caras falam até búlgaro se for necessário. E pra finalizar esse texto que de tao grande parece a biblía (ou o alcorao), falo da pior coisa da Tunísia (com exceção da capital Tunis, que já é bem ocidental): álcool é proibido pela religião islâmica. Nos hotéis e restaurantes pra turistas rola certo, mas nos bares das cidades nem pensar. É muito bizarro, não importa a hora, os bares estão sempre lotados. Só de homens e bebendo chá de menta, a bebida típica do país. Até que é bom voltar pra Salamanca.
Esse chazinho até que é bom, mas eu fico com a cerveja.
Domingo, Fevereiro 05, 2006
AVISO EXTRA(ORDINÁRIO)
Saudações Coloradas.
Será a vida uma eterna despedida?
Vou sentir sua falta Flor

Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006
ADENDO A COISAS BIZARRAS, INTERESSANTES, ESTRANHAS, MONGOLONAS...
- Na Net daqui, conhecida como ONO, dá pra comprar vários filmes, inclusive pornôs. E o nome dos filmes em espanhol são das coisas mais engraçadas que eu já vi na vida. O meu preferido é “Las japonesas también follam”. Não sei se como os espanhóis pensavam que os japoneses se reproduziam, por osmose de certo. Mas agora SEMPRE que eu vejo uma japonesa, vem esse pensamento na cabeça “elas também”.
- Eu sempre discutia com o amigo Pinty, por que não existia carteira (ou maço, se tu for um chinelão) com apenas 10 cigarros, feita para fumantes de ocasião. E aqui na Espanha há. Bueno, não é disso que eu quero falar. É do caso Lucky Strike. Não sei se faz um ou dois anos que todos os cigarros tiveram que aumentar de preço (mais uma vez lembrando que cerca de 87% dos espanhóis fumam e os outros 13% dão uns pegas). E o que fez a Lucky? Manteve o preço original e tirou um crivo da caixa. E botou bem grande 19! Isso pra mim, do ponto de vista de marketing, foi genial. Tipo, o que é um cigarro para um fumante? É sua vida, ok. Mas se tem 19 ou 20 não faz NENHUMA diferença. Sempre acaba dando um pro amigo, pra alguma gostosa, pra algum otário se tiver de bom humor ou ainda acendendo do lado errado se estiver realmente bêbado (ou for uma topera). Bacana essa idéia.
NOTA DO AUTOR: Perdão por mais um texto repetitivo, é que ta rolando muita coisa ao mesmo tempo por aqui, então em vez de não publicar nada, botei isso que já tava meio encaminhado. Em breve coisas mais interessantes. Ah, nevou pra cacete aqui sábado, a cidade ficou branca, linda demais.No mais, vamos levando na medida do possível.

