Caipirinha & Castanholas

Terça-feira, Outubro 31, 2006

O Rio de Janeiro continua lindo

Eu sou viciado em colocar títulos mega manjados nos meus textos. Deve ser por eu ser um completo ignorante, como andam escrevendo sobre minha pessoa em comunidades de raves no orkut (sério mesmo, têm uns comentários muito engraçados, um dia publico alguns aqui). Mas voltando ao que interessa, fazia anos que eu não ia na Cidade Maravilhosa e não lembrava o quão astral era. O Luís Fernando Veríssimo tem uma crônica genial das antigas, dizendo que todo gaúcho ama o Rio. É verdade. Pior que não tinha como não aproveitar. Rolou muita praia e muito chopp, e o showzinho do Beastie pra coroar. Os cariocas com aquele jeito marrento deles, na real são gente-finas, sempre vêm trocar uma idéia na boa. Deixo em especial um abraço aos amigos botafoguenses. E as cariocas nem se fala. Além de serem muito saradas, o lance do chiado no sotaque e a malandragem dão uma pimentinha a mais. Eu poderia viver um bom tempo no Rio sem problemas.
Hablamos del concierto entonces. O show dos Beastie Boys foi do caralho, os caras mandaram bem demais. Apesar de eu não conhecer todo o repertório (principalmente as mais novas), deu pra curtir bastante. Na finaleira Intergalatic e Sabotage fecharam com chave de ouro o momento histórico. Sem falar no show a parte de celebridades que estavam por ali. Antes só tínhamos visto a Glória Maria no calçadão de Ipanema. Mas lá no Tim Festival... a primeira foi a Nana Gouveia. Ok, ela não é famooooosa, mas é a Nana. Muitos dos meus amigos já prestaram muitas homenagens pra Nana em tempos remotos (ou não tanto assim). Depois ainda passaria o casal da hora, Lázaro Ramos e Taís Araújo, sob uma horda de fotógrafos (deve ser foda aturar essa praga que se chama paparazzi). O único que nos prestamos a tirar uma foto foi com o Gabriel Pensador. Não me pergunte porquê.
Mas o momento nobilis foi pouco antes de começar o show. Antes abro um pequeno parênteses. Quando fiz meu último mochilão na Europa com o Gustavinho, o Marcelo Novaes tinha virado uma piada interna nossa, por motivos que eu estou sem saco de escrever agora (o título do meu documentário dessa trip foi até “fuck me i´m marcelo novaes”). Então a gente tava brincando que ia encontrar ele no Rio. Fecha os parênteses. E não é que o cara, do nada, passa bem na nossa frente. Aí eu e o Tavinho explodimos e começamos a berrar “Marcelo Novaes, Marcelooo Novaaaaaaaaes”. Ele meio assustado, pára, pensando que éramos viados ou retardados, ou as duas coisas. Mas depois ele se dá conta que éramos apenas uns bêbados, e provavelmente uns gaudérios que nunca tinham visto um global na vida. Paramos pra tirar a lendária foto e... a câmera resolveu emperrar. O nosso amigo Marcelo, o mais carioca dos cariocas (depois do Romário óbvio) se despede com “É isso aí galera”, da maneira mais carioquês possível. Foda-se a foto, o momento valeu ouro. Novaes Vive. Um segundo depois, a máquina volta a funcionar. No mais era isso. Não encontrei a Cléo Pires, acho que ela vai ter que esperar um pouco mais então.


PS: Segunda-feira eu e o Gabriel ainda fomos no cinema lá no Rio. Provavelmente o melhor filme do ano. No decorrer da semana, falo mais sobre isso.


Típico butequinho de esquina, não tinha nem
cadeira e vendiam pão com margarina a 50
centavos (abre o olho Amaral)



Vida dura



Tinha uma série de posteres assim no Bar Belmonte



Beastie Boys em ação


Intergalatics

Abaixo, um pequeno vídeozinho com alguns trechos do show:

Quinta-feira, Outubro 26, 2006

RIO 40º

Primeiramente comento da grande repercussão do texto sobre raves. Provavelmente graças a “divulgação” do amigo Pablo em tudo que é comunidade de raves, música eletrônica e djs com o seguinte título “UM TEXTO SOBRE RAVES: PARA REFLETIR”. Eu devo ser um dos caras mais odiados do Orkut agora. Bah, acho que não vou conseguir dormir mais. O bacana é que graças a essa ação, esse site bateu todos seus recordes. Se antes a média era de 15 a 20 (com picos de 30 através textos polêmicos sobre a dupla gre-nal ou de vídeos realmente históricos), nos dois últimos dias tive mais de 70 visitas em cada. Obrigado raveros, com um pouco mais de esforço, conseguiremos uma publicidade, nem que seja da Kaiser ou da Karina Bachi com seus serviços de acompanhante (não disse puta, é acompanhante mesmo, Junior da Sandy que o diga). Muita Vibe pra todo mundo.

Buenas, hoje é quinta-feira, e espero todos no Beira-Rio ver o colorado tirar a touca do Ju (tipo, já tirou umas mil vezes, mas tu vai sempre ler os cronistas podres escrevendo isso). Ok, se você é gremista, espero você depois no Entreatos, na República, para dar os parabéns para a Gudy, esposa do grande companheiro Cófa. Tá, e se você não é de Porto Alegre, eu tô indo pro Rio amanhã, sei lá...

Isso mesmo, amanhã, eu, meu irmão e o Sr. Gustavinho vamos para a Cidade Maravilhosa com o objetivo de ver os Beastie Boys, que tocam no Tim Festival na domingueira. O trio, uma das bandas mais importantes do mundo, tá com uma entrevista bem bacana na Trip desse mês. Recomendo. Então, quem souber de dicas bacanas (principalmente de noite) do Rio, só lança aí. Porque sábado tenho um futevôlei marcado com o Romário.

Terça-feira, Outubro 24, 2006

DEZ RAZÕES PARA QUEM COSTUMA IR A RAVES SE SENTIR UM IDIOTA

O MCR (Movimento Contra Raves) continua a toda. Já somos quatro integrantes (eu, Mônica, Horta e Rica) e em breve seremos milhões. Fiquei sabendo que a do último sábado foi fabulosa, melhor festa do ano. Que pena que eu perdi.
Vamos começar a ser mais radicais e pegar um pouquito mais pesado a partir de agora. Abaixo escrevo as tais razões do título deste texto:

1) A Infernal Música
Eu consigo aturar música eletrônica por no máximo duas horas. Depois ou encho a minha a cara o máximo possível a ponto de não conseguir ouvir mais nada ou eu dou o fora. Aí os seguidores desse tipo de música dizem que eu não entendo nada, que existem mil correntes e sempre me falam de Trance ou do tal PSY (piçai no cú deles). Até pode ter um que outro somzinho eletrônico interessante, mas as músicas que tocam em rave são sempre as mesmas. Perdão estou enganado, a MÚSICA QUE TOCA EM RAVE É SEMPRE A MESMA. É sempre a mesma maldita batida, que dá aquela aceleradinha, depois a parada e depois toda a macacada de circo pula emocionada. Que afudê. Pra mim uma música que não tem quem cante, não tem uma letra, não foi criada com alma, não tem nada pra acrescentar na tua vida. Até o MC Serginho têm alguma coisa a dizer, por mais sujo que seja. Aí já ouvi papos por aí, de quem não gosta de música eletrônica são como os avôs da década de 50 que rechazavam o rock. Ledo engano. Música eletrônica é um atraso. Pensem comigo, Mozart, Bethoven, música clássica em geral, obviamente que era genial. Mas como Chaplin também era, quando não havia o som no cinema. Agora que alguém pode cantar alguma coisa, dizer qualquer coisa, queremos voltar a só ouvir um barulho. Se é por isso, (pasmem) prefiro que o Armandinho diga que quando Deus te desenhou ele tava namorando, do que ouvir o SuperMegaBomDj Fabrício Peçanha não dizer nada e botar a mesma música que toca SEMPRE em todas as raves.

2) A Modinha

Não existe nada mais patético que seguir a modinha. Tipo, eu respeitava quem há uns 5 anos atrás ou mais, ia nas primeiras raves, quando quase ninguém curtia esse som. Era uma festa diferente e ia quem era ligado no lance de verdade. Nessa época a turma da modinha só tinha cd de Gangsta Rap, Snoop Dogg, 2Pac e afins. Hoje em dia eles devem ter sido todos jogados pela janela ou trocado 10 cds do Eminem por um do Dj Tiesto, o melhor DJ do mundo.
E a turma da modinha ainda vem torrar o meu saco, perguntando porque eu não fui na rave, tava todo mundo. Todo mundo que eu não queria ver, obrigado.


3) Bala
A frase suprema “Pra curtir rave têm que tomar bala né?”. Antes que minha mãe pense que halls vende bastante nesse tipo de festa, “bala” é o apelido de ecstasy, a droga do amor. Eu já escrevi isso e volto a escrever: o som da festa é tão, tão, tão infernal que só muito drogado pra agüentar. Eu já tomei algumas vezes há alguns anos atrás, então mais ou menos sei do que estou falando. Façam o teste: tomem uma bala e vão ao show do Bruno e Marrone. Vão se sacudir e amar igual. Esse lance de que tem que tomar ouvindo música eletrônica é algo pronto, enlatado da Inglaterra, que entrou na cabeça de todo mundo como verdade absoluta.
Agora eu vou dar uma de advogado do Diabo e me contra-argumentar, com uma sentença que ninguém nunca me retrucou. “Tá e tu, que têm que beber pra ir nas festas, não consegue te divertir sem álcool?” Ahan, boa pergunta. O álcool já é um elemento cultural com mais de séculos de criação. Se não me engano os egípcios já tomavam cerveja. E hoje em dia, se nasce teu filho, todos tomam um porre pra comemorar. Se teu primo se forma, idem. Aniversários, natais, reveillon (putz, e agora já tem rave disso também). Tudo. Inclusive nos momentos ruins. Tua namorada te largou? Copo. Ah pára quem vier falar mal da cerveja que vá tomar no seu cú! E cerveja (geralmente) desperta a libido e tira a timidez das pessoas, resultando no final das contas em mais relações sexuais pra todo mundo. E o ecstasy é chamado a droga do amor. Só se for do amor próprio. Entramos no próximo tópico.


4) Pouquíssima pegação
Antes que pensem que eu sou um pervertido, me explico. Tu não vê muita gente se beijando em rave. E que tu tá tão “naturalmente” feliz, com a tua balinha na cabeça, dançando que nem um retardado, que nem precisa de alguém do sexo oposto. Ecstasy, na verdade não é a droga do amor. É a droga do assexuado.


5) Óculos Escuros
Esse tópico é clichêzaço, mas têm que ser comentado. Quando estivermos na década de 2040, nas festas à fantasia, vai ter gente de ano 2000, e os PATÉTICOS óculos escuros na noite vai ser uma dos acessórios mais procurados, obviamente por ser tão ridículo.
A explicação lógica que me comentam é que tu curte mais a bala assim. E já rola vários boatozinhos que é bem comum pessoas não tomarem balas e usarem óculos escuros para fingir que tomaram. Que sacanagem, hein?


6) Pirulito
Isso é algo que eu realmente nunca entendi. Tenho algumas teorias, mas vou poupar meus leitores disso. Próximo tópico.


7) Os Nomezinhos Bestas
Tanto faz se é da festa ou daquela merda que vêm depois dos nomes dos djs. Não sei o que significa, e pouco me importa se é o clube deles, a faculdade ou a opção sexual. Mas sempre depois do DJ João vêm umas letrinhas ou palavras pseudo-bacanas em inglês. Eu tava quase procurando na minha caixa de spams do meu email pra recolher e botar aqui para todos rirmos juntos. Mas achei que realmente não valia a pena.

8) Pessoas Detestáveis
A rave é um antro de pessoas desesperadas por atenção, por serem aceitas em um grupo. Desde o bombado lutador de regata até a bixinha loca (nada contra homossexuais, não gosto é de bixa histérica), têm muito escroto aí. Mas talvez o pior é o que tenta se vestir o mais rave possível, achando que é super fashion, já que metade da festa tá usando a mesma marca que ele (adidas, puma...). Poderia ainda falar das piranhas drogadinhas, mas também chega de humilhar os outros. Cada um faz o que quer da sua vida.

9) Mesmo quem odeia vai
Eu mesmo já agi assim. Fui convencido por outros que era a única festa que ia ter mulher. Chegando lá me dava conta da cagada. Mas tem muita gente que odeia, mas vai por cometer o mesmo erro que eu, achando que vai ter um monte de mulher. Mas não se esqueça que o pacote inclui todos os tópicos acima. O único jeito de acabar com a moda rave (veja bem, não quero acabar com as raves, e sim com a moda, que siga indo, quem gosta de verdade) é parando de ir. Eu pelo menos agora faço a minha parte.

10) Banalização
Poderia entrar no tópico modinha, mas é um pensamento um pouco distinto. Hoje em dia, o Planeta Atlântida fecha com uma rave. O Cozumel, de Atlântida também já tá quase aderindo 100%. E (pasmem nº2) até o Dado Bier tá querendo virar filial da Spin. É meus amigos, até a próxima rave.





Clique na tira e a veja maior. É a tira 1 da sexta temporada do Bruno.
Fiz no início de 2005, se bem não me engano.

Domingo, Outubro 22, 2006

Histórias Coloradas

O Inter vai lançar o livro “Histórias Coloradas – As 100 melhores histórias campeãs da América” durante a Feira do Livro de Porto Alegre. Sessenta dessas histórias são de jogadores, dirigentes e comissão técnica e as outras quarenta de torcedores colorados. A direção realizou um concurso e eu fui um dos afortunados.
A estrutura da idéia é basicamente a que eu publiquei aqui mesmo um dia após a conquista da América. Só dei uma incrementadinha e já era (na real, o mais foda foi cortar, porque eu tinha escrito pra caralho e o máximo eram 5000 caracteres). Publico abaixo minha história, mas espero que comprem o livro mesmo assim, até porque vai ter mais novente e nove historietas.


O QUE EU REALMENTE GOSTARIA DE TER DITO

Intervalo do jogo final da Libertadores no Beira-Rio. Inter vence por um a zero, e eu nervoso, me encontro na fila do banheiro. Começo a bater um papo com o Lucianinho, repórter da Rádio Gaúcha, que estava por ali. Então, do nada, ele aponta o microfone pra mim e me põe no ar. Eu sou um cara que sempre tenho as melhores respostas. Detalhe: sempre um minuto depois de precisar delas. Então transcrevo agora o que eu realmente gostaria de ter dito naquele momento (fazendo de conta que me deixariam falar por uns 3 minutos, graças a minha empolgação):

Faltam só 45 minutos. Só 45. Eu olho pra todo esse mar vermelho, todos apreensivos, apenas esperando esses 45 minutos para entrar em êxtase total. Quanto tempo aguardamos por esse momento? Eu toda a minha vida. Quando nasci não tive escolha. Meus pais decidiram que eu ia me chamar Leonardo e que ia ser colorado. E eu só tenho a agradecê-los por isso. Desde o berço o Inter foi minha religião. Então sempre tive muita fé, e tudo que eu sofri, só fez aumentar minha paixão. Eu sabia que um dia a nossa hora ia chegar. A hora de conquistar a América. (pausa para respirar)
Eu tinha só 10 anos e me lembro como se fosse ontem, vibrando no Beira-Rio, aquele pênalti mal batido do Célio Silva. Me lembro de chorar como um bebê quando o Dunga deu aquele peixinho e nos salvou da segundona. Me lembro de rir á toa no estádio deles, quando aplicamos os 5 a 2. Me lembro que o melhor presente que eu ganhei na minha vida foi de um tio, amigo do Figueroa, que me regalou a camisa que o Dom Elias jogou a semifinal de 75 contra o Fluminense. E vou me lembrar para sempre o momento que esse juiz argentino apitar o final deste jogo.
Tento contar rapidamente como foi para um colorado doente, acompanhar quase toda a Libertadores na Europa. Fiquei um ano fazendo um mestrado na Espanha, e fiz o possível para divulgar o Inter por lá. Sentia-me como se fosse embaixador do clube no velho continente. Tive em dezenas de países e desfilei em tudo que é canto com a camisa rubra. A mesma que presenteei a diversos amigos espanhóis e italianos. Discutia com quem dizia que a Champions League era muito mais difícil que a Libertadores (põe o Villareal pra jogar na altitude do Equador, põe!). Tudo pelo Inter.
O pior de tudo é que, por estar tão longe, sofri mais que nunca durante a competição, só ouvindo os jogos. Eu era a reencarnação do meu avô. A diferença era que ele escutava um radião de madeira e o time era o Rolo Compressor. Já eu, ouvia num notebook conectado à internet e o time era Fernandão e Cia, um Rolo Pós-Moderno. E para um fanático não assistir aos jogos é dureza. Tudo graças aos narradores, que mesmo que a bola esteja no meio do campo, sempre berram como se fosse quase gol. Os cardiologistas deveriam processar as emissoras de rádio por isso. Mas pior que escutar é não ter nem noção do que está acontecendo. Foi o meu caso e de um grande amigo, também coloradaço, no jogo de volta contra o LDU. Estávamos em um festival de música, em uma pequena praia perto de Valencia. E como o jogo era às 3 da manhã da hora local, não existia nenhum lugar aberto com internet. Ou seja, compramos um barril de chopp e ficamos bebendo em um parque com duas amigas colombianas. Talvez tenham sido os 105 minutos mais apreensivos da minha vida. E quase morri do coração quando liguei pra casa e descobri que o também colombiano Rentería acabava de fazer o segundo gol. As gurias não conseguiam entender porque gritávamos, abraçávamo-nos e as lágrimas corriam tanto de nossos olhos. E de fato, não tinha como explicar.
Já no jogo de volta da semfinal contra o Libertad, conseguimos achar o único cyber café de Atenas aberto às 5 da manhã e quase quebramos todo o recinto quando o Colorado carimbou o seu passaporte à final. Era de manhã na Grécia. E era hora de antecipar a volta à nossa terra.
Cheguei dois dias antes do primeiro jogo e já fiquei por São Paulo. Encontrei com o meu pessoal e fomos todos ao Morumbi. Nosso ônibus se perdeu, mas a bela poesia lida ali por um conselheiro encheu ainda mais todos de emoção e esperança. Passamos por cima de tudo, inclusive de muitos cuspes e o resto a gente deixou com o Sóbis, que fez o Morumbi virar o Beira-Rio.
No avião de volta tivemos o prazer de pegar o mesmo vôo do Fernando Carvalho, como já tinha ocorrido na viagem à Buenos Aires, dois anos antes. O presidente ainda pediu meu jornal para ler, orgulhoso, que o sonho dele, o meu e de toda a nação vermelha estava mais perto do que nunca.
Então este é meu primeiro jogo no Beira-Rio, depois de um ano longe. Logo este. E só falta 45 minutos. Depois disso, posso morrer feliz.


Era isso que eu gostaria de ter dito. Porém, quando vi aquele microfone na minha boca, falei a primeira coisa que passou pela minha cabeça, algo como: “só falta 45 minutos. Só faaaalta 45 minutoooooooos. Depois vamô estourar tudo, CARAL...”. Neste momento, o Lucianinho afastou o microfone de mim. Sem problemas, 45 minutos depois eu era Dono da América e nada mais importava.


Pra quem é leitor do blog, deixo duas fotinhos bacanas para ilustrar o texto:


Foto pseudo-artística, celebrando a vitória
sobre o LDU em Benicassin, sem nem poder
escutar o jogo. Da-lhe chopp.




Eu e o Gabriel, literalmente colorados desde
criancinhas. Eu sou o bebê gordo da foto.

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

XXXperience no rabo

"Bah, vai tá toda Porto Alegre na rave de sábado". Toda menos um. Eu tô fora. Chega. Alguém tem que fazer alguma coisa para acabar com essa moda podre, ridícula, patética, escroque... bom escolha o adjetivo que você desejar. Então eu ianuguro o MCR, o Movimento Contra Rave. Eu sei que não estou sozinho nessa batalha.
A primeira ação do MCR vai ser ficar jogando rojão no hotel do DJ Astrix pra ele não dormir. Obviamente que na tarde, porque é a hora que esses merdas dormem depois de tocar até o meio-dia com a cabeça cheia de bala. Outras ações como caterrear pessoas de óculos escuros na noite são bem-vindas.
E eu que reclamava da moda do pagode...

"A rave é a doença e eu sou a cura"
Pablo Melo

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Xadrez na Terra do Sol

.

Dois velhinhos jogam xadrez em um parque. Um deles têm uma barba branca e o outro é ruivo e veste uma camiseta onde se lê PRADA.

SALDANHA
Inácio, nós somos amigos de longa data. Posso te confessar uma coisa?

INÁCIO
Desembucha.

SALDANHA
Se eu te disser que eu sou o Diabo, tu acredita?

INÁCIO
Se eu te disser que sou Deus, tu acredita?

SALDANHA (DIABO)
Eu não tô de brincadeira.

INÁCIO (DEUS)
Eu sei que não. Ninguém te conhece melhor que eu.

SALDANHA (DIABO)
Bah... (um pouco surpreso) pior que no fundo dos teus olhos agora te reconheço. Tu é foda. Todos esses anos...

INÁCIO (DEUS)
Faz parte do jogo. Xeque.

SALDANHA (DIABO)
Eu deveria ter desconfiado quando a gente tinha 10 anos e tu entrou no meu colégio. Logo na minha turma.

INÁCIO (DEUS)
Eu que fiz a minha mãe me matricular ali.

SALDANHA (DIABO)
É. Tu definitivamente não tinha o perfil daquele colégio.

INÁCIO (DEUS)
Pois é. Não tinha nem aula de religião.

SALDANHA (DIABO)
Bom, pelo menos graças a mim tu estudou num colégio de merda.

INÁCIO (DEUS)
Buenas, aprendi a escrever certo por linhas tortas.

Silêncio.

SALDANHA (DIABO)
E os baseados que tu fumou comigo?

INÁCIO (DEUS)
Pelo menos nunca dei uns tecos.

SALDANHA (DIABO)
Humm... mas o lance de tu ser Deus explica muito coisa.

INÁCIO (DEUS)
Como o fato de tu ter me sacaneado durante toda a vida e eu sempre ter te perdoado?

SALDANHA (DIABO)
Não. O fato de que tu foi o único que conseguiu comer a Marcinha.

INÁCIO (DEUS)
Ah pára! Deixa de ser recalcado. Eu não usei nenhuma interferência pra isso.

SALDANHA (DIABO)
Ahan, sei. Sabia que mentir é pecado segundo teu livro?

INÁCIO (DEUS)
Qual? O que eu escrevi na faculdade “Godofredo e o Isopor”?

SALDANHA (DIABO)
Tava falando da bíblia.

INÁCIO (DEUS)
Aquilo ali é coisa do Jesus. Muita utopia, coisa de jovem, sabe come é que né.

Um menino de 8 anos se aproxima deles.

MENINO
Tios, têm um trocado?

SALDANHA (DIABO)
(tira uma nota de 10 reais e entrega) Toma.

MENINO
Deus lhe pague.

Deus e Diabo se olham. Menino sai de perto.

SALDANHA (DIABO)
Tu ouviu ele, pode me lançar a grana.

INÁCIO (DEUS)
Ah vai te carrega! Pôr mais que tua intenção tanha sido de má índole, querendo que o pobre se drogue, não deixa de ser uma boa ação.

SALDANHA (DIABO)
Vai toma no...

INÁCIO (DEUS)
Cheque-mate.

Silêncio

SALDANHA (DIABO)
Me diz uma coisa.

INÁCIO (DEUS)
Desembucha.

SALDANHA (DIABO)
Não estarias interessado em negociar tua alma?

Os dois riem.

Terça-feira, Outubro 17, 2006

FRAGMENTOS DE UM FERIADÃO QUASE NORMAL

SCOOBA, IMBÉ – Sábado, 1h00

Nós na frente do lugar.
- Amigo, essa baita fila é pra entrar?
- Essa é a fila VIP. Aquela outra maior é a normal.
- Nunca vi VIP entrar em fila – resume Dudu.


LANCHERIA RALPS, CAPÃO DA CANOA – Sábado, 8h00

O recinto está tomado por tipos mal-encarados e provavelmente alcoolizados, como eu no caso.
- Coooolorado, coloraaaado, nada vai nos separar...
Apesar de eu brandar a música, ninguém parece se empolgar. Um neguinho meio magro, me chama na mesa dele e começa a cantar a música em espanhol do Grêmio. Me sinto na obrigação de dar a tréplica.
- Coligay! Coligay!
Com mais sorte que juízo, saio de lá sem nenhum arranhão. O pessoal que está comigo me mira com reprovação.


CASA DO DUDU, ATLÂNTIDA – Sábado, 23h30

Concentração antes da festa, incrivelmente com mais mulheres que homens. Um de nossos amigos está contando uma história:
- Eu disse pra ela “Se tu fosse homem eu quebrava a tua cara! Ah, vai te enxergar ô chinelona.”

COZUMEL, ATLÂNTIDA - Domingo, 6h00
- Olha o sol.
- Finalmente esses idiotas tem uma desculpa pra tarem de óculos escuros.

CASA DO DUDU, ATLÂNTIDA – Domingo, 10h30

Sujeito aparentemente sem controle quebra garrafas. Tem implicância com o irmão, com quem volta e meia discute em inglês. O irmão acorda o pessoal com gritos.
- Alerta vermelho! Alerta vermelho!
Sujeito aparentemente sem controle pula e pisa nos cacos de vidro propositalmente. Todos assistem a cena perplexos.


CASA DO DUDU, ATLÂNTIDA – Domingo, 17h30

Amigos assistindo na sala o jogo do Inter contra o Fluminense. Michel acaba de anotar o segundo gol para o Colorado.
- Michel, o Beira-Rio te ama!


ESTRADA PARA GLORINHA – Domingo, 20h30

Gui no volante do meu carro, eu de co-piloto. Estrada está bem escura, e a chuva é forte. De repente escutamos um barulhão e eu vejo um vulto voando para trás.
- Caralho Gui, atropelamô um cara!
Paramos o carro na hora. Vejo um corpo distante. A primeira coisa que digo, me tremendo todo, não ajuda em nada.
- Ô meu, acho que ele tá morto.


ESTRADA PARA GLORINHA – Domingo, 21h15

A polícia já está no local e a ambulância está a prestes a chegar. Todos os moradores das redondezas avisam que é o bêbado Zé, e que ele tem 7 vidas. O Zé estava caminhando no meio da estrada escura, e ainda agora segue deitado no chão, por motivos de segurança. Mas mesmo assim ele acende um cigarro.
- Liga pros guri e cancela de vez o futebol.


DELEGACIA DE GRAVATAÍ – Domingo, 22h45

Gui segue na burocracia da ocorrência. Eu, o Gabriel, um policial, um gordinho piadista e provavelmente sua mulher com cara de choro, assistimos a uma pequena televisão. O comentário é geral.
- Como o Fantástico anda sem notícias ultimamente.


POSTO DE GASOLINA NOS ARREDORES DE GRAVATAÍ – Domingo, 23h15

Aviso pros guris a indicação que a atendente da lojinha do posto me deu:
- Ela disse pra gente pegar a esquerda e ir toda a vida reto. Quando chegarmos na sinaleira, daí então é pra pegar pra direita. Ela frisou para não pararmos na sinaleira.
- Só não quero cair em Alvorada.

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Closed

Blog fechado até domingo. Motivo: férias.
Bebam por mim. Eu o farei.

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Paradise Now

Acabo de ver Paradise Now. O filme ganhou o globo de ouro de melhor filme estrangeiro e concorreu ao oscar da mesma categoria. Como de praxe, prefiro não contar quase nada da trama para não estragar. O diretor israelense Hany Abu-Assad tenta mostrar um lado humano (mas muito foda) na questão Israel/Palestina. Eu recomendo.


Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Leo Recomenda

Hoje às 22h no Opinião rola show do mestre Wander Wildner. Uma das bandas que vai abrir é Os Horácios, que mandam também muito bem. Se eu ainda não convenci você, até a meia-noite é dose dupla. Para quem quer comecer a semana bem.

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Fechando a Trilogia

Minha trilogia de pseudo-documentários-amadores-europeus chega ao fim. Depois do sucesso retumbante de "Bonne Anne, Chupa Aqui", e de "¿Guión o Botellon?", chegamos a última parte. Pra variar ponho os 3 primeiros minutos da película, agora com uma arte um poquito diferente, mas tosca como sempre. Aí vai:




E abaixo coloco 3 minutinhos lá do meio, um trecho meio constrangedor, mas engraçado. Só botei umas legendinhas antes pra vocês entrarem no espírito. Era aniversário do Gustavinho e o trago tava forte. Detalhe: reparem na voz fininha de uma das minas. Incrível.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Veja

Um trago forte num carnaval pode ter um preço muito alto. Se eu pensar que alguns são contemplados com filhos ou doenças venéreas, até que eu não tive tanto azar. Perdi só meus documentos nas Ilhas Canárias (não se preocupe que eu nunca vou escrever a pior gíria do universo “pular carnaval”).
A minha carteira de motorista fiz logo que cheguei, sem burocracia, apenas tendo que pagar uma grana (normal). E hoje tive que refazer minha identidade. A única coisa que demorou, como não poderia ser diferente, foi pagar a taxa no Banrisul. Ah, que saudade que eu tava na fila do Banrisul! Mas como eu só vacinado, não cometi o erro de levar um MP3, porque música é bom para caminhar e não pra ficar olhado pessoas de saco cheio e idosos em filas menores. Então ia levar a Bravo, mas não pensei que fosse o tipo de leitura que combina com fila, então peguei a Veja mesmo. Como a fila demorou uma hora e quinze minutos, quando faltava duas pessoas para serem atendidas, terminei ela. Além dos habituais ataques a corrupção no governo do Lula, encontrei alguma coisa interessante/bizarra/curiosa. Aí vai:

- O melhor dessa edição (que têm o elefante na capa) são as páginas amarelas. A entrevista é com o roteirista Greg Behrendt, que era o consultor do Sex and the City (me aponte uma mulher que não gosta dessa série e eu lhe dou um prêmio), e que depois escreveu dois livros para ajudar as mulheres a entenderem os homens. O cara dá várias barbadas para o mulherio e ainda diz pérolas como “A maioria dos homens não gosta de conversar o tempo todo, mas adora fazer sexo a qualquer hora. Isso não significa que ele esteja desinteressado pela mulher. É apenas uma característica masculina. Muitas mulheres não entendem isso e entram em conflito com eles”.

- Na seção Gente (aonde a Veja e a Caras se encontram), têm algumas fotos da Cicarelli, que apesar de puta, segue boa. E também uma entrevista com a Sra. Tapa na Pantera, o curta que eu achei bem razoável, mas que estorou afu.

- Os médicos liberaram o ovo. Agora ele não é mais inimigo da saúde. Boa notícia.

- Cientistas criam gatos genéticos que não causam alergias aos seres humanos. Eu não entendo como alguém pode gostar de gato, mas enfim fica o registro.

- A Adidas da Nova Zelândia está distribuindo posters com sangue do All Blacks, principal time de rugby do país. Aí rola toda a matéria sobre campanhas publicitárias polêmicas, Toscani...

- Descubriram, através de uma bateria de exames, que a Mona Lisa sorri por um motivo: felicidade materna. Pensei em ler essa matéria, mas quando cheguei na metade, percebi que tinha coisa melhor pra fazer, como analisar o que as pessoas fazem numa fila ou fazer cara feia para quem espicha o olho pra minha revista.

- O filme analisado era o Dália Negra, do Brian de Palma, com a Scarlett Johansson. Obviamente que eu não li, porque a crítica da Veja SEMPRE fala mal de todos os filmes e SEMPRE conta toda históra, inclusive o final.

- Estréia no Brasil esse final de semana a séria Big Love, sobr mórmons dos Estados Unidos. É um cara que têm três mulheres. Uma delas é a Chlöe Sevigny. Nada mais a declarar.

- Ah, já ia esquecendo, na seção das frases têm uma noticiazinha incrível: O novo binquedo da moda nos Estados Unidos é um casal de bonecos politicamente incorretos, a linha Trash Talkin´Dolls. Ela se chama Turleen, está grávida do oitavo filho, usa roupas vulgares e leva um cigarro na boca. Ele se chama Jer Wayne Jr., não têm um dente, orelhas de abano, longo cabelo ruivo, tatuado e sua frase é “depois de quinze cervejas, você continua feia”.