Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
Um Olhar Sobre o Japão
Demorou mais saiu. Finalmente começo a publicar aqui a série de mini-documentários da minha histórica viagem ao Japão. Arigatô.
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Terça-feira, Janeiro 16, 2007
Mais Estranho que a Ficção

Fui ver ontem no cinema Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction), do diretor Marc Forster, que dirigiu também A Última Ceia (Monster Ball, que deu o Oscar para Halle Barry e que eu não vi) e Finding Neverland (que eu não me lembro como é o nome em português e que achei bem mais ou menos). Mas apesar de toda essa introdução do diretor, quem importava no caso era o estreiante roteirista Zach Helm. Eu tinha lido uma baita matéria na capa do Ilustrada da Folha de São Paulo (equivalente ao Segundo Caderno da ZH, porém muito mais completo, e porque não dizer, mais inteligente), em que dizia que o tal do Zach era um seguidor de Charlie Kaufman. Pra quem não sabe, Charlie Kaufman é um dos caras mais brilhantes de Hollywood. É dele os roteiros obra-primas de Quero Ser John Malkovich, Adaptação e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Praticamente um semi-Deus para caras que querem seguir sua mesma profissão, como é o meu caso. Ou seja, isso já era muito mais que suficiente pra ir correndo ver o filme. Mas ainda assim fui lendo a reportagem (pulando os parágrafos que começavam a contar o filme – sempre friso que odeio saber mais que uma linha antes de ver um filme), onde se rasgava de elogios o roteiro do novato. Dizia ainda que Zach, como Kaufman, entrava naquelas exceções em que o roteiro amalucado sobressaía sobre a direção.
Enfim, fui ver e gostei. Porém como minhas expectativas eram altas demais, eu ainda esperava assim mais. O filme é a história de um cara que descobre que é personagem de um livro e que vai morrer. E chega de contar. Sim esse argumentinho têm um quezinho de Show de Truman, mas fica por aí e o seu tom é muito mais leve. Pra mim é quase uma comédia romântica bem criativa, com alguns momentos realmente hilários. Mesmo estando ainda muito longe do nível do Kaufman, acho que o Zach Helm pode ter um futuro brilhante, e de repente criando um estilo próprio. E é ótimo que comecem a valorizar cada vez mais o roteiro de um filme, que apesar de ser fundamental pra qualquer obra é geralmente ignorado pelo grande público.
PS 1: Minha namorada leu o primeiro tratamento (ou seja primeira versão de muitas) do meu primeiro longa e não fez nenhum comentário. Quando eu a pressionei a ser sincera, ela me disse que não era nem muito bom nem muito ruim. Era neutro, um filme como muitos. Que não era uma coisa como um Brilho Eterno, por exemplo. Charlie Kaufman me paga ainda.
PS 2: Assisti o Mais Estranho que Ficção no Unibanco Arteplex, na minha opinião o melhor cinema de Porto Alegre. Porém, e sempre há um porém em tudo, porque diabos eles têm que colocar o ar-condicionado tão frio? Isso é um hábito de quase todos os cinemas que freqüento e realmente não entendo. Todos sabemos que tá um puta calor na cidade, óbvio que um arzinho é mais que bem-vindo, mas pra quê o Pólo Norte? Tenho uma teoria que envolve a Groelânida, um cartel de vendedores de roupas quentes e rinocerontes resfriados, mas revelo ela em uma próxima oportunidade. Atchim.
Enfim, fui ver e gostei. Porém como minhas expectativas eram altas demais, eu ainda esperava assim mais. O filme é a história de um cara que descobre que é personagem de um livro e que vai morrer. E chega de contar. Sim esse argumentinho têm um quezinho de Show de Truman, mas fica por aí e o seu tom é muito mais leve. Pra mim é quase uma comédia romântica bem criativa, com alguns momentos realmente hilários. Mesmo estando ainda muito longe do nível do Kaufman, acho que o Zach Helm pode ter um futuro brilhante, e de repente criando um estilo próprio. E é ótimo que comecem a valorizar cada vez mais o roteiro de um filme, que apesar de ser fundamental pra qualquer obra é geralmente ignorado pelo grande público.
PS 1: Minha namorada leu o primeiro tratamento (ou seja primeira versão de muitas) do meu primeiro longa e não fez nenhum comentário. Quando eu a pressionei a ser sincera, ela me disse que não era nem muito bom nem muito ruim. Era neutro, um filme como muitos. Que não era uma coisa como um Brilho Eterno, por exemplo. Charlie Kaufman me paga ainda.
PS 2: Assisti o Mais Estranho que Ficção no Unibanco Arteplex, na minha opinião o melhor cinema de Porto Alegre. Porém, e sempre há um porém em tudo, porque diabos eles têm que colocar o ar-condicionado tão frio? Isso é um hábito de quase todos os cinemas que freqüento e realmente não entendo. Todos sabemos que tá um puta calor na cidade, óbvio que um arzinho é mais que bem-vindo, mas pra quê o Pólo Norte? Tenho uma teoria que envolve a Groelânida, um cartel de vendedores de roupas quentes e rinocerontes resfriados, mas revelo ela em uma próxima oportunidade. Atchim.
Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
KIMBA
Peço perdão aos meus poucos leitores assíduos pelo chá de sumiço do autor deste sítio. Estive alguns dias de férias e quando voltei queria postar alguns vídeos bacanas que fiz no Japão. Mas ainda estou com alguns problemas na utilização da câmera nova. E também ando muito ocupado. Tô dando uma de pintor lá na casa da Maria, juntamente com toda equipe, pra ver se a gente começa a bombar de uma vez o esquema. Soma-se a isso, que eu ando escrevendo um roteirinho pra tentar inscrever no Histórias Curtas e ainda lendo três livros ao mesmo tempo: um de táticas de pôquer, outro de roteiro e o On The Road do Keurac. Ou seja, o tempo tá mesmo foda pra posta aqui. Mas agora me senti obrigado. Minha cadela, a Kimba, acaba de falecer e como cachorro não tem enterro, me sinto na obrogação de prestar uma pequena homenagem.
Praticamente todos os meus amigos conhecem a Kimba. Ela era (é triste quando temos que escrever no passado) uma verdadeira lenda, por diversos motivos. Ela era uma linda fila na sua juventude, provavelmente misturada, por ter o corpo amarelo e a cara preta, sem falar dos quilos a mais. Ia completar 13 anos agora em março (sim, lembro dela filhotinha quando o Brasil foi Tetra), algo quase impossível para um cachorro do seu porte.
Lembro do dia que escolhemos ela. Meu pai queria um cachorro brabo, devido aos crimes que naquela época ja começavam a incomodar. A Kimba foi disparado o filhote que mais latiu, e por isso decidimos levar ela. Só que provavelmente era de fome. Acho que eu nunca vi um cachorro tão manso quanto ela. Nunca, mas nunca na vida, chegou perto de atacar alguém. E enquanto tivesse comida, ela tava lá sempre com fome, muito mais que um cachorro normal. Em uma fase chegou a comer os butiás que caiam da árvore. A única coisa que sempre se negou a comer na vida era sushi. É a Kimba não era cachorro de dondoca. E também cumpriu com o objetivo de seguir com sua espécie: deve ter tido quase 100 filhotes durante toda a vida, ou seja deve ter milhares de parentes espalhados mundo a fora.
Kimba, de origem Kim Bassinger, atriz que estava na moda no longíquo 94, vai fazer falta. Poderia citar centenas de histórias divertidas dela, mas fico com uma em especial. Acho que faz mais de três anos já. Meus pais estavam viajando e eu cheguei em casa e encontrei a cadela, que já era grande, com três vezes o seu tamanho e imóvel. Percebi que ela estava mal, quando tentei oferecer comida e ela nem deu bola. O Dudu, que estava na minha casa, um pouco alcoolizado, me ajudou a colocar ela na caçamba de sua caminhote e fomos voando pruma clínica veterinária que estava aberta à noite. E o Dudu voando, passando diversos sinais vermelhos, preocupado com a saúde do bicho. Chegando lá, deram rapidamente o diagnóstico: ela tinha torcido o estomâgo, algo não tão raro com cachorros grandes. Botaram ela na mesa de operação e ela sem se mover desde que saiu da minha casa. Eu ainda tava do lado dela na mesa de operação. Quando as veterinárias disseram pra mim sair da sala, e eu comecei a me afastar, deu um treco na Kimba, tentando se agitar de qualquer forma. Eu não sei se cachorros pensam ou têm sentimentos, mas naquele momento percebi que ela confiava em mim, e mais que isso, eu dava conforto pra ela naquela. Foi nesse momento que eu percebi que ela gostava de mim tanto quanto eu gostava dela. Sua chance de sobreviver a cirurgia era de 30% e ela conseguiu. A Kimba era demais. Sentiremos saudades.
Praticamente todos os meus amigos conhecem a Kimba. Ela era (é triste quando temos que escrever no passado) uma verdadeira lenda, por diversos motivos. Ela era uma linda fila na sua juventude, provavelmente misturada, por ter o corpo amarelo e a cara preta, sem falar dos quilos a mais. Ia completar 13 anos agora em março (sim, lembro dela filhotinha quando o Brasil foi Tetra), algo quase impossível para um cachorro do seu porte.
Lembro do dia que escolhemos ela. Meu pai queria um cachorro brabo, devido aos crimes que naquela época ja começavam a incomodar. A Kimba foi disparado o filhote que mais latiu, e por isso decidimos levar ela. Só que provavelmente era de fome. Acho que eu nunca vi um cachorro tão manso quanto ela. Nunca, mas nunca na vida, chegou perto de atacar alguém. E enquanto tivesse comida, ela tava lá sempre com fome, muito mais que um cachorro normal. Em uma fase chegou a comer os butiás que caiam da árvore. A única coisa que sempre se negou a comer na vida era sushi. É a Kimba não era cachorro de dondoca. E também cumpriu com o objetivo de seguir com sua espécie: deve ter tido quase 100 filhotes durante toda a vida, ou seja deve ter milhares de parentes espalhados mundo a fora.
Kimba, de origem Kim Bassinger, atriz que estava na moda no longíquo 94, vai fazer falta. Poderia citar centenas de histórias divertidas dela, mas fico com uma em especial. Acho que faz mais de três anos já. Meus pais estavam viajando e eu cheguei em casa e encontrei a cadela, que já era grande, com três vezes o seu tamanho e imóvel. Percebi que ela estava mal, quando tentei oferecer comida e ela nem deu bola. O Dudu, que estava na minha casa, um pouco alcoolizado, me ajudou a colocar ela na caçamba de sua caminhote e fomos voando pruma clínica veterinária que estava aberta à noite. E o Dudu voando, passando diversos sinais vermelhos, preocupado com a saúde do bicho. Chegando lá, deram rapidamente o diagnóstico: ela tinha torcido o estomâgo, algo não tão raro com cachorros grandes. Botaram ela na mesa de operação e ela sem se mover desde que saiu da minha casa. Eu ainda tava do lado dela na mesa de operação. Quando as veterinárias disseram pra mim sair da sala, e eu comecei a me afastar, deu um treco na Kimba, tentando se agitar de qualquer forma. Eu não sei se cachorros pensam ou têm sentimentos, mas naquele momento percebi que ela confiava em mim, e mais que isso, eu dava conforto pra ela naquela. Foi nesse momento que eu percebi que ela gostava de mim tanto quanto eu gostava dela. Sua chance de sobreviver a cirurgia era de 30% e ela conseguiu. A Kimba era demais. Sentiremos saudades.
Adeus Gorda.

Na foto, bem novinha, brincando com Ludo (outra lenda)
que seria seu marido durante muitos anos
vídeo feito pra formatura do Gabriel, na metade do ano passado,
em que a Kimba dava um depoimento através de legendas.

KIMBA 1994-2007

