É mais que uma maratona, é uma rústica! Na verdade acho que rústica é menor que maratona, mas tem um nome mais bacana, azar. O que importa é que vi quatro filmes nas últimas 36 horas, e posso comentar um pouco sobre cada um deles. Na verdade poderia comentar sobre qualquer coisa na vida, desde o gosto que tinha a rapadura do supermercado Cardoso de Arroio do Sal até o último pensamento que tive antes de dormir e que esqueci. Mas não vem ao caso hoje. Vamos as películas:
1.
Estranhos no Paraíso (Stranger Than Paradise, 1984)
Escrito e dirigido por Jim Jarmusch, um dos maiores diretores vivos em minha humilde opinião. Se você é daqueles que vai na pré-estréia de
Homem de Ferro, pule este. Eu já tinha visto (e adorado) suas produções dos anos 90 e 2000,
Café e Cigarros,
Flores Pardidas, Ghost Dog e Dead Man (meu favorito). Agora vou atrás dos mais antigos
O cara é daquela categoria "cinema de autor", o que faz de seus esquisitos filmes, mas obras quase maiores que filmes, o Jim Jarmush vai além. Este
Estranhos no Paraíso conta a história de três... ah, se você quer saber a trama, o que acontece e como termina procure a Revista Veja ou o Segundo Caderno da ZH.
*visto em DVD na noite de domingo
2.
Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights, 2007)
Dirigido e escrito por Wong Kar Wai (um tal de Lawrence Block assina o roteiro também), que também se encaixa no tal do cinema de autor referido acima, também chamado por alguns de "alternativo". Kar Wai Wong (como também é conhecido este chinês) faz aí um filme mais comercial, uma espécie de comédia (?) romântica ahn... alternativa (perdão). Achei bacana, boas atuações (Norah Jones cumpre, Jude Law idem), destaque aos coadjuvantes Rachel Weiz e seu marido no filme (bom ator que não sei o nome) e principalmente Natalie Portman. Ela representa uma jogadora de pôquer no filme. Isso basta para mim.
A trilha do filme é bonitinha e eu recomendo
Fallen Angels, também do Kar Wai. O filme obrigatório dele chama-se
Amor à Flor de Pele, e este pretendo ver o mais breve possível.
* visto no Unibanco Arteplex segunda à noite
3.
Garrincha Alegria do Povo (1962)
Direção de Joaquim Pedro de Andrade (o mesmo de
Macunaíma), roteiro do diretor e de outros como Armando Nogueira e Barretão. Este é o documentário, não confunda com o filme feito pelo cara da Casa dos Artistas. E que documentário, diga-se de passagem! Li na biografia do Garrincha que este filme foi um fracasso de bilheteria na época que foi lançado, já que o povo queria ver os gols e dribles do craque (as tvs não tinham chego ainda) e o diretor tava embebedado pela revista Cahiers du cinéma, bíblia dos cinéfilos cabeções. O que foi um problema na época, torna-se uma grande virtude agora, já que o documentário transcende o jogador e mostra um retrato de época fantástico e ao mesmo tempo atual sobre a paixão brasileira pelo futebol.
Detalhe interessante é que filme foi restaurado ano passado. Muito bacana mesmo. E os grandes jogadores hoje em dia não são mais carregados nos ombros dos companheiros.
*Visto na madrugada de segunda no Canal Brasil
4.
O Guri (2008)
Dirigido e escrito pelo meu sócio Zeca Brito, o que eu vi na verdade foi o primeiro corte do filme (espécie de primeira versão). Fui infiltrado em uma primeira exibição somente para a equipe. Ainda falta arrumar o som, mas a fotografia do filme é de arrasar. O Guri é um longa de baixíssimo orçamento e enorme qualidade, gravado na região de Bagé. Tem tudo para se tornar em um ícone de mudança de paradigmas com relação ao cinema nacional e seus custos. A estréia prevista nos cinemas é setembro.
Pra quem quiser ver o teaser,
CLIQUE AQUI.
*Visto na manhã de terça na Sala P.F. Gastal
Foto da equipe retirada do orkut